Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (3), o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, avaliou os impactos das medidas tarifárias anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump na última terça-feira (02).
Para o presidente da ApexBrasil, a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Ministério de Relações Exteriores – MRE - em manter cautela é "a mais correta". Viana destacou ainda a importância de aguardar os desdobramentos da medida: "teremos que esperar um pouco a implementação dessas medidas em virtude do quanto mexem no fluxo da cadeia produtiva da maior economia do mundo", pontuou.
Jorge Viana defendeu a separação entre negócios e política e a importância de ouvir o empresariado brasileiro e reforçou que ninguém ganha com essas revisões tarifárias: "Não devemos desistir dos EUA, que são a maior economia do mundo. Temos que buscar o entendimento", afirmou. "O Brasil lamenta o que está ocorrendo, mas fez o dever de casa para situações como essas, que espero que não se materializem. Torço para Trump rever, se não tudo, ao menos parte das medidas, por elas serem inexequíveis."
A partir de 5 de abril, os Estados Unidos adotarão uma sobretaxa de 10% adicional às alíquotas de importação vigentes para produtos brasileiros. A medida surpreende, principalmente pelos recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços que os EUA têm com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos. Em 2024, o superávit dos EUA com o Brasil foi da ordem de US$ 7 bilhões somente em bens, segundo dados do próprio governo norte-americano.
Na avaliação do presidente da ApexBrasil, a possível aprovação do PL 310/2025 -conhecido como “Lei da Reciprocidade” - pelo Congresso Nacional é um sinal positivo de convergência entre os parlamentares brasileiros, de que existe a tentativa de união para a busca de uma eventual resposta. “Essa materialidade dada pelo congresso ontem é um gesto muito importante e abre um positivo precedente, de que os interesses do país podem ser colocados acima do conflito” afirmou.
Jorge Viana relatou também a possibilidade de disputas nos organismos internacionais, destacando, no entanto, o enfraquecimento desses órgãos em razão da retirada dos EUA, pelo governo Trump, o que tem esvaziado os organismos multilaterais.
Sobre as reações ao redor do mundo, Viana destacou ainda os pacotes de contramedidas a serem anunciados pela União Europeia na data provável de 13 de abril, caso negociações com os EUA não sejam bem-sucedidas. Já China, Coreia do Sul e Japão divulgaram nota conjunta, no dia 30 de março, com indicações de que trabalharão por um acordo de livre comércio trilateral.
A ApexBrasil seguirá acompanhando os impactos do tarifaço e atuando em sintonia com o governo para avaliar os efeitos sobre produtos e empresas brasileiras. "Se o tarifaço de fato for implementado, teremos muito trabalho, inclusive para ampliar a presença do Brasil no comércio internacional", concluiu Viana.