Um dos principais parceiros da indústria de móveis brasileira no exterior, o Reino Unido foi o quarto maior destino das exportações do setor em 2024, concentrando 5,9% das vendas externas. O resultado confirma a solidez dessa relação comercial e o espaço para expansão nos próximos ciclos.
É nesse ambiente que a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) apresentam o novo “Estudo de Oportunidades para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões – País-Alvo: Reino Unido | Edição 2025”, elaborado pelo IEMI sob encomenda para o Projeto Setorial Brazilian Furniture.
Com elevado poder de compra, consumo diversificado e uma das maiores taxas de abertura comercial do mundo, apesar de oscilações econômicas nos últimos anos, o Reino Unido permanece um mercado estratégico para empresas que buscam consolidar ou expandir sua internacionalização. O estudo identifica onde estão essas oportunidades e quais ajustes podem potencializar a competitividade do mobiliário brasileiro por lá.
Um mercado maduro, aberto e altamente competitivo
Sexta maior economia global, com PIB de US$ 3,6 trilhões em 2024, o Reino Unido é formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. A região soma cerca de 69 milhões de habitantes e está entre os mercados mais receptivos ao produto estrangeiro: 57,5% do consumo de móveis foi suprido por importações em 2024, resultando em déficit comercial de aproximadamente US$ 6 bilhões apenas nesse segmento.
O consumo aparente de móveis atingiu US$ 13,2 bilhões no ano, alta de 10% em relação a 2020 (ano-base do estudo) e crescimento de 3,1% frente a 2023. A produção local, embora expressiva, é marcada por forte fragmentação, sendo composta majoritariamente por micro, pequenas e médias empresas, distribuídas pelo território e sem polos regionais consolidados. Desde a pandemia, apresenta leve retração, ainda que 21,8% da produção seja destinada ao exterior, demonstrando competitividade em nichos específicos.
A consolidação do e-commerce também molda o mercado: 85% da população realizou compras on-line em 2024, mas o varejo físico segue relevante para categorias de maior valor, como móveis de madeira e colchões. Entre os critérios de compra, destacam-se preço, qualidade, design, marca, origem e responsabilidade ambiental.
Estrutura das importações: onde o Brasil se posiciona
O Reino Unido importou US$ 7,6 bilhões em móveis e colchões em 2024, representando alta de 28,6% em relação a 2020. A China foi o principal fornecedor, com 47,2% do total, seguida por Polônia e Itália. O Brasil ocupou a 19ª colocação, com 0,6% de participação, marcando, por outro lado, uma retração de 16,8% frente a 2020.
O recorte por produto revela tendências importantes:
● 60% das importações se concentram em móveis;
● 35,7% em assentos;
● Colchões representam 4,3%.
Essa composição abre espaço para itens brasileiros com maior valor agregado e design assinado, especialmente em madeira, onde o país já possui reputação sólida.
Evolução das exportações brasileiras e o que mudou
De 2008 a 2024, o Brasil exportou US$ 1,1 bilhão em móveis e colchões para o Reino Unido. Em 2024, foram enviados US$ 45 milhões, ou 21,3 mil toneladas, enquanto o preço médio avançou para US$ 2,11/kg, alta de 8,9% em relação a 2020.
O comportamento por categoria mostra nuances relevantes:
● Assentos cresceram expressivos 159,8% desde 2020.
● Móveis de madeira para escritório (+437,7%) e móveis de plástico (+292,9%) despontaram como oportunidades emergentes.
● Móveis de madeira para dormitório e outros móveis de madeira responderam juntos por 93% das exportações em 2024.
O estudo, no entanto, chama atenção para um ponto sensível: o Brasil exporta majoritariamente produtos de madeira para faixas de preço mais baixas, o que reduz sua média geral e limita ganhos de market share em segmentos premium, justamente os mais valorizados pelo consumidor britânico.
Potencial de crescimento: +44,3% no médio prazo
Com base no histórico de desempenho e nas taxas de crescimento por categoria, o IEMI estima que o Brasil pode elevar suas exportações para cerca de US$ 65 milhões ao ano, o que representa um potencial adicional de 44,3% no médio prazo.
O crescimento depende, sobretudo, de três fatores estratégicos:
1. Ampliação do mix com produtos de maior valor agregado.
2. Integração entre design e indústria, fortalecendo diferenciação estética e funcional.
3. Atuação contínua em promoção comercial, como as ações lideradas pelo Projeto Brazilian Furniture.
O estudo reforça que o mercado britânico valoriza design autoral, responsabilidade ambiental e storytelling do produto, que são atributos com forte aderência ao design brasileiro contemporâneo.
Tarifas, acordos e ambiente regulatório
As exportações brasileiras para o Reino Unido estão sujeitas às tarifas da Cláusula da Nação Mais Favorecida (CNMF), com alíquotas entre 2% e 4% para móveis e colchões. O estudo destaca dois elementos-chave:
● Após o Brexit, o Reino Unido busca novos acordos comerciais e considera o Brasil parceiro prioritário.
● No entanto, o Reino Unido já possui 40 acordos com 74 territórios, o que exige atenção às condições de concorrência com outros mercados beneficiados por acordos preferenciais.
A agenda bilateral vem se fortalecendo também no campo político e institucional, incluindo o apoio britânico à entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o que tende a abrir novas janelas para aproximação comercial.
Exclusividade Brazilian Furniture
Associado ao Projeto Setorial Brazilian Furniture, acesse o “Estudo de Oportunidade para o Exportador Brasileiro de Móveis e Colchões – País-Alvo: Reino Unido | Edição 2025”: brazilianfurniture.org.br/intranet.
Projeto Brazilian Furniture
O Projeto Setorial Brazilian Furniture é uma iniciativa da ABIMÓVEL em parceria com a ApexBrasil, que tem por objetivo incrementar a participação da indústria e da cadeia de móveis brasileira no mercado internacional por meio de um conjunto de ações estratégicas, tendo como base os pilares da sustentabilidade, da competitividade e do design integrado à indústria. Atualmente, cerca de 175 empresas participam do projeto.
Em 2024, a indústria brasileira de móveis e colchões foi a sexta maior produtora e a 26ª maior exportadora do mundo, alcançando receita de mais de US$ 763,02 milhões em exportações de produtos prontos (excluindo-se partes e componentes), o que representou um crescimento de 3,8% na atividade frente a 2023. Quando se incluem partes para fabricação de móveis, o montante atingiu US$ 870,20 milhões.
Em um novo ciclo (2025-2026), as entidades realizadoras convidam além de fabricantes e designers de móveis, demais empresas do ramo de componentes e fornecedores da indústria a se unirem ao projeto, ampliando ainda mais o alcance do mobiliário brasileiro e reforçando a competitividade da marca “Brasil” no mundo.
Para fazer parte do projeto e colocar sua marca nos maiores eventos do setor moveleiro ao redor do mundo, acesse: brazilianfurniture.org.br.
Sobre a ABIMÓVEL
A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL), atua há quase cinco décadas na defesa, desenvolvimento e fortalecimento da cadeia moveleira nacional. A instituição promove e conduz uma agenda positiva para o setor, beneficiando mais de 22,3 mil empresas, que em 2024 geraram 282,7 mil empregos diretos, numa cadeia produtiva que emprega cerca de 1,1 milhão de trabalhadores indiretamente. No período, foram produzidas 439,9 milhões de peças de móveis e colchões acabados (+8,6% sobre o ano anterior), com faturamento de R$ 91,6 bilhões (+12,1%) e investimentos de R$ 1,37 bilhão (+14,5%).
Esses números refletem a força da indústria moveleira no Brasil – uma das maiores produtoras do setor no mundo –, resultando de uma atuação conjunta entre empresas e a entidade. Um trabalho integrado e estruturado que se traduz em programas voltados à sustentabilidade, ao design, normalização, internacionalização, inovação e posicionamento do setor no mercado, reforçando a competitividade do mobiliário brasileiro e ampliando sua presença tanto no mercado interno quanto no global.
Sobre a ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira, entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.
A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.