Com vendas de US$ 84 milhões no 1° semestre, indústria busca contratos de fornecimento com tecnologias desenvolvidas no Brasil
Após registrarem crescimento de 13% nas exportações de máquinas e equipamentos agrícolas para a Europa no primeiro semestre de 2026, com vendas de US$ 84 milhões, fabricantes brasileiros buscam novos canais de distribuição e contratos de fornecimento no continente. Para avançar nessas negociações, as empresas desembarcarão na EIMA International 2026, de 10 a 14 de novembro, em Bolonha, na Itália.
Por meio do Brazil Machinery Solutions, programa realizado pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), para promover as exportações do setor, Guarany, Indústrias Colombo, Magnojet, Multibelt, Globus e J.Assy desembarcarão na feira para expandir seus negócios na Europa. Entre os objetivos comerciais da delegação do país estão a conquista de novos distribuidores e o fortalecimento das relações com parceiros locais.
Com tecnologias desenvolvidas por suas próprias equipes de engenharia, todas as participantes levarão ao evento soluções destinadas à mecanização agrícola e ao fornecimento de componentes para fabricantes estrangeiros. Quatro delas apresentarão recursos de agricultura de precisão, incluindo sensores, eletrônica embarcada e sistemas de controle da aplicação de insumos, segmento em que as exigências de produtividade, compatibilidade tecnológica e redução de desperdícios influenciam as decisões de compra.
Para Patrícia Gomes, diretora executiva de Mercado Externo da ABIMAQ, a demanda europeia por automação e precisão agrícola abre portas para fornecedores brasileiros, especialmente aqueles capazes de atender às especificações técnicas dos compradores do continente. "O fornecimento de tecnologia para fabricantes europeus é interessante, pois permite às nossas empresas negociar contratos industriais com maior continuidade e previsibilidade", avalia.
Mercados europeus
Entre os principais destinos das máquinas e equipamentos agrícolas brasileiros na Europa, a Ucrânia liderou as compras no primeiro semestre de 2026, com US$ 18,1 milhões, seguida por Bélgica (US$ 14,3 milhões), Rússia (US$ 14 milhões), Alemanha (US$ 9,2 milhões) e Turquia (US$ 7,2 milhões). Juntos, esses cinco mercados responderam por aproximadamente 75% das exportações do setor para o continente no período.
Apesar da concentração das receitas, as taxas de crescimento variaram entre os principais destinos. Na Rússia, as importações de produtos brasileiros aumentaram 52% em relação ao primeiro semestre de 2025, enquanto Alemanha e Bélgica registraram altas de 50% e 23%, respectivamente. A Itália, sede da EIMA, importou US$ 3,5 milhões, avanço de 74%, e a Espanha alcançou US$ 2,9 milhões, com expansão de 236%, ainda sobre bases menores.
Na Europa Oriental, a Polônia adquiriu cerca de US$ 4 milhões em equipamentos brasileiros, seguida por Hungria (US$ 725 mil), Eslováquia (US$ 244 mil) e Bulgária (US$ 125 mil). Por exemplo, o mercado polonês já recebe colhedoras de feijão da Colombo, fabricante com mais de 50 anos de atividade, negócios em mais de 60 países e operações nos Estados Unidos e na Argentina. A Multibelt, por sua vez, comercializa seus produtos em 13 países distribuídos por seis continentes.
Segundo Patrícia, a experiência acumulada nessas operações pode favorecer a entrada em outros destinos europeus. A executiva observa que países com menor volume de importações também oferecem oportunidades para empresas especializadas, sobretudo quando há distribuidores capazes de atender às necessidades dos produtores locais.
Esse contato com potenciais parceiros comerciais é favorecido pela concentração de compradores na EIMA, que recebeu mais de 300 mil visitantes e 400 delegações internacionais na edição de 2024. A feira reúne representantes de diferentes mercados agrícolas, incluindo distribuidores e montadoras interessados na aquisição de equipamentos e componentes industriais.
Agricultura de precisão
A compatibilidade entre sistemas eletrônicos e o controle das operações agrícolas estão entre os temas tecnológicos da edição de 2026. No Pavilhão Brasil da EIMA, serão apresentados o sensor sem fio Visum Seeder RF, desenvolvido pela J.Assy em São Paulo, com autonomia de bateria de 4 mil horas, e a interface HMI NEO X, da Globus, compatível com os protocolos CAN Bus e ISOBUS. Essas tecnologias atendem à demanda por monitoramento de processos e comunicação entre equipamentos, especialmente em operações que exigem integração de componentes de diferentes fabricantes.
Na pulverização, o controle da dispersão de defensivos integra as exigências técnicas e ambientais enfrentadas pelos fornecedores que pretendem atuar no mercado europeu. A Magnojet apresentará pontas para redução de deriva e aplicação localizada, com alguns modelos em fase final de certificação pelo Instituto Julius Kühn (JKI), na Alemanha. Entre as soluções voltadas ao uso de matérias-primas renováveis, a Guarany levará produtos da Linha Katu, fabricados com plástico verde derivado da cana-de-açúcar. A empresa também apresentará equipamentos para combate a incêndios florestais e saúde ambiental, com aplicações que extrapolam a mecanização agrícola.
A comercialização de máquinas e componentes na Europa também depende do cumprimento de requisitos específicos de segurança, qualidade e compatibilidade técnica. Entre as referências apresentadas pelas fabricantes estão as certificações ISO 9001 e ISO 14001, a marcação CE, a homologação ECE R10 e a conformidade com a diretiva RoHS, conforme os produtos e processos envolvidos.
Na avaliação de Patrícia, o atendimento a essas exigências influencia a escolha de fornecedores por distribuidores e montadoras europeias, especialmente quando os contratos envolvem componentes que serão incorporados a equipamentos produzidos na região. A executiva considera que a combinação entre desenvolvimento tecnológico e adequação às normas locais pode favorecer relações comerciais de longo prazo. "Na EIMA, queremos mostrar aos compradores europeus que a indústria brasileira tem tecnologia própria para atender às demandas por eficiência na aplicação de insumos, automação e integração de equipamentos", conclui.
Sobre o Brazil Machinery Solutions
O Brazil Machinery Solutions é um programa de promoção das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, realizado pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). O programa atua como plataforma de negócios internacionais, com foco na ampliação do acesso das empresas brasileiras a mercados estratégicos e no posicionamento do Brasil como fornecedor global de bens de capital com tecnologia, inovação e competitividade industrial.
Sobre a ABIMAQ
A ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) representa a indústria brasileira de máquinas e equipamentos e atua no fortalecimento do setor por meio da articulação institucional, do estímulo à inovação tecnológica e da promoção da competitividade industrial. A entidade apoia a inserção internacional das empresas associadas e o desenvolvimento de soluções alinhadas às demandas dos mercados globais.
SOBRE A APEXBRASIL
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira.
Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil.
A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.