ApexBrasil e setores produtivos alinham plano estratégico de apoio a empresas impactadas pelo tarifaço

11/08/2026
Notícias da Indústria e Serviços

Por: Comunicação ApexBrasil

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Encontro em São Paulo reuniu representantes dos principais setores produtivos brasileiros atingidos pelas sobretaxas norte-americanas para mapear novos mercados e alinhar ações institucionais de inteligência e promoção comercial.

SÃO PAULO — Como parte das medidas para apoiar o setor produtivo nacional diante das barreiras comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) realizou nesta segunda-feira (10) uma reunião de trabalho em seu escritório em São Paulo com representantes dos principais setores industriais afetados. O encontro integra as ações de elaboração do Plano de Diversificação de Exportações, iniciativa estruturada para atender as empresas brasileiras atingidas pelas medidas tarifárias americanas. O plano é apresentado na manhã desta terça-feira (11), no WTC, em São Paulo, para presidentes das principais entidades do setor produtivo e para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias.


Impactos no setor produtivo


A aplicação das novas tarifas afetou mais de 30 setores produtivos brasileiros, como a cadeia de mobiliário e produtos de alto valor agregado. "O setor de móveis é um dos setores mais impactados com o tarifaço dos Estados Unidos. Cerca de 30% das exportações brasileiras de móveis vão para aquele mercado, e isso tem um impacto no mercado e nas exportações brasileiras de alto valor agregado muito grande", pontuou a diretora da Abimóvel, Cândida Cervieri. "Neste momento, nós alinhamos os mercados altern, alinhamos ações e redefinimos um caminho, uma estratégia para alcançar o reposicionamento do setor e a abertura de novos mercados", completou a executiva.


No segmento de reciclagem animal, as sobretaxas atingiram os insumos voltados para a cadeia de biocombustíveis. "A gente recebeu uma tarifa de 37,5% em todos os produtos e isso impacta principalmente as exportações de sebo bovino, que é utilizado hoje para a parte do biocombustível", explicou o gestor de mercado externo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), Juliano Hoffmann. "Mapeamos os principais mercados alternativos, que seriam Singapura, uma parte da União Europeia, Malásia, e verificamos que o Canadá também é um grande importador. O governo brasileiro já negociou a questão de Singapura com o acordo Mercosul e pretendemos entrar na esteira desse acordo para facilitar as exportações", acrescentou Hoffmann.


No setor de calçados, as lideranças industriais detalharam o redirecionamento das ações para mitigar as perdas no comércio exterior. "O setor calçadista foi muito impactado pelo tarifaço norte-americano, mas estamos trabalhando para encontrar alternativas e ampliar os mercados de exportação para tentar diminuir os prejuízos", afirmou o presidente executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. "Nós já exportamos para 160 países. Esta semana teve uma ação no mercado argentino e uruguaio, onde estamos ampliando as exportações, e a África do Sul é um mercado-alvo onde teremos uma missão para aumentar as vendas do setor", detalhou Ferreira.


Na indústria de transformados plásticos, o aumento tarifário impactou o segundo principal destino do setor. "O mercado americano hoje é o segundo maior mercado de exportações do Brasil para o setor plástico. Estamos tentando, para equilibrar, diversificar mercados, indo para outros países por meio de rodadas de negócios adicionais e feiras", avaliou Aleksander Richard, do Think Plastic Brazil. "Começamos uma rodada de negócios no Chile com 34 empresas apoiadas com compradores do mercado chileno e vizinhos, além do foco em segmentos como construção e utilidades domésticas para o Oriente Médio e mercado africano", destacou.


A indústria têxtil e de confecção registrou reflexos diretos em empresas de menor porte. "O mercado americano representa o quarto principal destino das nossas exportações e isso tem impactado diretamente mais de 100 empresas do setor que dependem deste mercado, a maior parte de pequeno porte, em segmentos como moda praia e feminina", apontou a superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Lilian Kaddissi. "Temos visto no mercado europeu perspectivas interessantes por conta do acordo Mercosul-União Europeia. Além disso, temos na Colômbia um mercado importante para trabalhar o posicionamento do setor", completou.


Plano de Diversificação de Exportações


As contribuições e demandas apuradas no encontro compõem as diretrizes do Plano de Diversificação de Exportações que será apresentado nesta terça-feira (11/08), em São Paulo, pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, e a lideranças do setor produtivo.

Tema: Promoção Comercial
Mercado: América do Sul
Setor de Exportação: Outros
Setor de Investimento: Não se aplica
Erro: