União Europeia e ApexBrasil anunciam mais de € 266 milhões em investimentos no Brasil durante Fórum Brasil-UE

24/06/2026
Investimentos

Por: Comunicação ApexBrasil

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União Europeia e ApexBrasil anunciam mais de € 266 milhões em investimentos no Brasil durante Fórum Brasil-UE
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Evento promovido na sede da Agência e realizado em parceria com a União Europeia e o CEBRI, reuniu autoridades, empresas e instituições financeiras para ampliar a agenda de negócios 

O fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e União Europeia, a ampliação dos fluxos comerciais e financeiros e o avanço da cooperação em áreas como minerais críticos, transição energética, infraestrutura digital e bioeconomia marcaram os debates do II Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia, realizado nesta segunda-feira (23), na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília.

Durante o encontro, a União Europeia anunciou mais de € 266 milhões (cerca de US$ 306 milhões) em novos investimentos no Brasil, destinados a projetos de conectividade, hidrogênio de baixo carbono, desenvolvimento sustentável e inclusão social.

Promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) em parceria com a Delegação da União Europeia no Brasil e a ApexBrasil, o fórum reuniu autoridades governamentais, representantes do setor privado, organismos financeiros e especialistas dos dois lados do Atlântico para discutir oportunidades de negócios e iniciativas de longo prazo. A programação incluiu debates sobre o Acordo Mercosul-União Europeia, indústria verde, infraestrutura, digitalização e cadeias de valor globais.

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, fala na abertura do II Fórum de Investimentos Brasil-UE. Foto: Divulgação/CEBRI

Na abertura do evento, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou o momento favorável da economia brasileira e a importância da parceria com a Europa para ampliar investimentos e agregar valor à produção nacional. 

Mesmo diante de um cenário internacional cada vez mais complexo, o Brasil alcançou recordes históricos, com US$ 348 bilhões em exportações e US$ 77 bilhões em investimentos atraídos no último ano. Com a União Europeia, ultrapassamos US$ 100 bilhões em fluxo comercial. Temos uma parceria baseada em valores compartilhados e uma complementaridade estratégica: o Brasil reúne recursos minerais essenciais para a nova economia, enquanto a Europa pode contribuir com capital, tecnologia e conhecimento para desenvolvermos cadeias produtivas de maior valor agregado.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil

Representando a União Europeia, o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, destacou a importância da cooperação baseada em confiança e visão de longo prazo. 

Estou no Brasil com um objetivo claro: tornar a parceria entre a União Europeia e o Brasil ainda mais forte. Em um momento em que muitos países priorizam ganhos imediatos, nós acreditamos em cooperação baseada em regras, benefícios mútuos e confiança. Há mais de 30 anos construímos essa relação, sustentada por valores comuns como democracia, multilateralismo e ação climática. Agora queremos transformar essa parceria em mais investimentos, mais empregos e mais oportunidades para nossas sociedades.
Jozef Síkela, comissário europeu para Parcerias Internacionais

Ainda durante o painel de abertura, o presidente do Conselho Curador do CEBRI, José Pio Borges, ressaltou que a complementaridade entre Brasil e União Europeia é um diferencial estratégico diante das transformações geopolíticas globais. “Brasil e União Europeia compreendem que a força das economias modernas está na complementaridade estratégica. Em áreas como terras raras e minerais críticos, temos condições de desenvolver conjuntamente toda a cadeia produtiva, da extração à aplicação tecnológica. O Acordo Mercosul-União Europeia amplia essa oportunidade e fortalece ativos cada vez mais valiosos no cenário internacional: confiança, previsibilidade e valores compartilhados.”

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, encerrou o painel ressaltando os avanços econômicos recentes do país e o potencial transformador do acordo entre Mercosul e União Europeia. “O Brasil voltou a crescer, retomou os investimentos produtivos e registrou recordes sucessivos no comércio exterior e na atração de capital estrangeiro. O acordo entre Mercosul e União Europeia cria um mercado de cerca de 750 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. É uma resposta concreta ao isolacionismo e às barreiras que dificultam o desenvolvimento econômico global.”

 

Investimentos europeus apoiam conectividade, energia limpa e inclusão social

Durante o Fórum, foram apresentados projetos voltados à conectividade, transição energética e inclusão social, que somam investimentos de mais de € 266 milhões (cerca de US$ 306 milhões). O maior aporte vai para o projeto Mais Conectado, que prevê a extensão do cabo submarino EllaLink para os estados do Pará e Maranhão, com investimento total de € 260,8 milhões destinado a ampliar a infraestrutura digital da região Norte e impulsionar oportunidades econômicas e inclusão digital na região.

Na mesma linha de conectividade, o Amazônia Verde receberá € 1,5 milhão para levar conectividade de última milha a seis comunidades remotas do Amazonas, testando soluções para ampliar o acesso digital em áreas de difícil alcance.

Os outros dois projetos olham para outras frentes: energia limpa e inclusão social. O H2Uppp Brasil, voltado ao desenvolvimento da cadeia de valor do hidrogênio renovável e de baixo carbono, contará com € 3 milhões da União Europeia e € 510 mil do governo alemão para apoiar projetos inovadores e prepará-los para a captação de investimentos privados. Já na área socioambiental, o projeto Cunhaintá Kirimbawasá: A Força das Mulheres Indígenas receberá € 777 mil para fortalecer a liderança e a participação política de mulheres indígenas na Amazônia, beneficiando 25 organizações de mulheres e jovens da região.

 

Acordo Mercosul-União Europeia e as oportunidades de comércio e investimentos

O fortalecimento do ambiente de negócios e a ampliação dos investimentos sustentáveis estiveram no centro das discussões do Fórum. Representantes do setor público, da iniciativa privada e de instituições financeiras destacaram a importância da segurança jurídica, da previsibilidade regulatória e da coordenação de políticas públicas para ampliar os fluxos de capital entre Brasil e União Europeia.

Gustavo Ribeiro, gerente de Inteligência da ApexBrasil, apresenta os principais dados entre Brasil e União Europeira. Foto: Divulgação/CEBRI

Um dos destaques da programação foi a apresentação de estudos sobre o Acordo Mercosul-União Europeia. O gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, mostrou que a relação econômica entre os dois parceiros, embora já consolidada, ainda possui espaço para expansão. Atualmente, o comércio bilateral supera US$ 100 bilhões e a União Europeia segue como a principal origem do investimento estrangeiro direto no Brasil, com estoque de US$ 464 bilhões, equivalente a 41% do total recebido pelo país. As análises indicam que o acordo poderá impulsionar uma nova etapa dessa parceria ao ampliar o acesso a mercados, fortalecer cadeias produtivas e aumentar a previsibilidade para investidores.

 

Economia verde, infraestrutura e competitividade

As oportunidades de investimento em setores estratégicos para a transição verde e para o aumento da competitividade brasileira também tiveram destaque entre os assuntos abordados durante o Fórum. Representantes de empresas brasileiras e europeias discutiram projetos ligados à indústria verde, energia, bioeconomia, infraestrutura, logística e digitalização.

Gerente de Investimentos da ApexBrasil, Helena Brandão, moderou a sessão "Estruturando o Pipeline de Investimentos Brasil–União Europeia em Indústria Verde, Energia e Bioeconomia". Foto: Divulgação/CEBRI

A gerente de Investimentos da ApexBrasil, Helena Brandão, ressaltou o potencial do Brasil para atender às demandas globais por diversificação produtiva e transição energética. “O nosso país reúne vantagens únicas para a nova economia verde. Temos recursos naturais abundantes e uma matriz elétrica predominantemente renovável. O desafio agora é transformar essa complementaridade entre Brasil e Europa em projetos concretos, por meio de acesso a financiamento, transferência de tecnologia e desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis.”

 

Indústria verde, bioeconomia e minerais críticos

O painel dedicado à indústria verde, energia e bioeconomia reuniu representantes de empresas brasileiras e europeias para discutir projetos concretos de investimento e desenvolvimento em áreas estratégicas. Helena Brandão destacou o potencial brasileiro para atender às demandas globais por diversificação produtiva e transição energética. “Temos vantagens únicas para a nova economia verde. Temos recursos naturais abundantes e uma matriz elétrica predominantemente renovável. O desafio agora é transformar essa complementaridade entre Brasil e Europa em projetos concretos, por meio de acesso a financiamento, transferência de tecnologia e desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis.”

 

Minerais críticos e cooperação estratégica

A crescente demanda global por minerais críticos tem ampliado a relevância do tema na agenda econômica entre Brasil e União Europeia. Essenciais para tecnologias ligadas à transição energética e à transformação digital, esses recursos são apontados como uma das principais frentes de cooperação entre os dois parceiros.

O tema também ganhou destaque durante o evento e encerrou os debates temáticos do Fórum, com foco no papel brasileiro na construção de cadeias globais ligadas à transição energética, à indústria de alta tecnologia e à segurança econômica.

Maria Paula Velloso, diretora de Negócios da ApexBrasil, fala na sessão "Foco nos Minerais Críticos: Uma Parceria Industrial Brasil-União Europeia na Prática". Foto: Divuilgação/CEBRI

A diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, destacou a relevância dos minerais críticos, que extrapola a agenda energética e se tornou uma questão central para a competitividade industrial global. “Os minerais críticos estão no centro da transição energética, da transformação digital e da competitividade industrial global. Nos últimos anos, esse debate evoluiu da segurança energética para a segurança dos minerais críticos, que são insumos essenciais para baterias, inteligência artificial, semicondutores e data centers. Brasil e União Europeia são parceiros naturais nessa agenda. O Brasil oferece recursos naturais, energia limpa e potencial industrial, enquanto a Europa aporta tecnologia, inovação, financiamento e capacidade para desenvolver cadeias produtivas sustentáveis.”

Segundo Maria Paula, essa parceria já avança em iniciativas concretas. Durante a Raw Materials Week, realizada em Bruxelas em novembro de 2025, foi estruturado um plano de trabalho conjunto entre Brasil e União Europeia para a agenda de minerais críticos, envolvendo ApexBrasil, Ministério de Minas e Energia, Ministério das Relações Exteriores, MDIC, BNDES e Comissão Europeia. Nesse contexto, a ApexBrasil organizou um portfólio com 11 projetos selecionados por seu potencial de agregação de valor, inovação tecnológica e transformação mineral, além de mapear desafios para a atração de investimentos, como acesso a financiamento, garantias, licenciamento, segurança jurídica e desenvolvimento de capacidades de processamento industrial.

A discussão reforçou a visão compartilhada de que o Brasil pode avançar de fornecedor de matérias-primas para um polo industrial sustentável de processamento de minerais críticos, atraindo investimentos, tecnologia e inovação para fortalecer cadeias produtivas estratégicas e acelerar a descarbonização da economia.

 

Próximos passos da parceria Brasil-União Europeia

A sessão de encerramento reforçou a convergência de interesses entre os dois parceiros em temas como segurança alimentar, transição energética, inovação, minerais críticos e desenvolvimento sustentável. Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Andre Muller, a complementaridade entre Brasil e União Europeia cria condições favoráveis para uma cooperação cada vez mais estratégica.

“Não tem como discutir segurança alimentar sem o Brasil. Não tem como discutir transição energética, mudança do clima, sem o Brasil. Não tem como discutir inteligência artificial, minerais críticos e energia sustentável de baixo carbono sem o Brasil. E não tem como fazer isso sem financiamento, sem conhecimento, sem inteligência, sem parceria.”

As discussões ao longo do Fórum reforçaram o potencial da relação entre Brasil e União Europeia para impulsionar investimentos, inovação e desenvolvimento sustentável. Em um contexto internacional marcado por transformações econômicas e geopolíticas, o encontro evidenciou oportunidades concretas para ampliar a cooperação entre os dois parceiros e fortalecer agendas estratégicas voltadas à competitividade, à transição verde e ao desenvolvimento de longo prazo.

Assessoria de Imprensa da ApexBrasil – imprensa@apexbrasil.com.br

Veja fotos no Flickr da ApexBrasil – II Fórum de Investimento Brasil-União Europeia | Flickr

Tema: Atração de Investimentos Estrangeiros
Mercado: Europa
Setor de Exportação: Não se aplica
Setor de Investimento: Energias renováveis — Infraestrutura
Setor de serviços:
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