Evento realizado pela ApexBrasil em Brasília reuniu representantes do setor público e indústria para discutir estratégias de avanço na sustentabilidade
A transição energética e a descarbonização são pautas em evidência no cenário global, e o Brasil tem acompanhado essa tendência. Um reflexo dessa abordagem foi a realização do seminário “Conexões Sustentáveis: Investimentos em baixo carbono no Brasil”, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em Brasília nessa quinta-feira (12). O evento, que teve o apoio da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), reuniu representantes governamentais e setor privado para disseminar o estágio atual dos projetos de investimentos no setor de hidrogênio verde, promover a troca de conhecimentos e estimular parcerias, destacando a participação de hubs brasileiros.
O seminário é uma ação da gerência de Investimentos da ApexBrasil por meio do programa Invest in Brasil Hydrogen 2026. Alinhado ao Plano Nacional de Hidrogênio (PNH2) e às diretrizes da Nova Indústria Brasil, a iniciativa tem como foco atrair investimentos estrangeiros para desenvolver a indústria nascente e a cadeia produtiva do hidrogênio de baixo carbono no país. O objetivo é impulsionar simultaneamente as exportações e a demanda doméstica, fortalecendo o posicionamento brasileiro na transição energética.
Durante o evento, foi assinado um protocolo de intenções entre a ApexBrasil, a ABEEólica e a ABIHV para a atração de investimentos em hidrogênio de baixo carbono, reforçando a articulação entre os setores de hidrogênio verde e energia eólica — segmentos complementares para ganho de escala, competitividade e descarbonização. A integração entre a geração eólica e a produção de hidrogênio permite otimizar recursos, reduzir custos, ampliar a segurança energética e criar cadeias de valor, com fortalecimento tanto do mercado interno quanto das oportunidades de exportação.
Na abertura do seminário, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou que o momento atual do Brasil no ambiente de negócios é propício para avanços na agenda da transição energética.
As exportações estão avançando e os investimentos estrangeiros no Brasil acumulados alcançaram US$ 77 bi segundo dados do Banco Central, isso também é um recorde. O Brasil é o quarto endereço dos investimentos estrangeiros. Preparar bons projetos e trabalhar com a ideia de estar presente em uma agenda de presente e futuro é realizar um seminário como esse que estamos fazendo.
Jorge Viana, presidente da ApexBrasil
Por sua vez, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza, ressaltou a atuação da gerência de Investimentos da Agência e o alinhamento com as políticas da Nova Indústria Brasil. “Este seminário é o reflexo do trabalho de alguns anos da gerência de Investimentos da ApexBrasil no segmento de energias renováveis especialmente de hidrogênio verde e energia eólica. Na nossa função de atração de investimentos, a ApexBrasil atua diretamente alinhada às diretrizes da Nova Indústria Brasil, e dentre essas diretrizes, a questão da transição energética é uma prioridade”.
Para a CEO da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Fernanda Delgado, iniciativas como o seminário e a parceria com a ApexBrasil são essenciais para progredir na pauta do hidrogênio de baixo carbono no Brasil. “O que precisamos agora é não só avançar nessa agenda, mas mostrar o que o setor tem pronto a oferecer. Essa interlocução com o mercado externo para atração de investimentos é primordial para que o Brasil se posicione como líder. A parceria com a ApexBrasil é essencial para trazer os investimentos, não só os externos, mas para buscar os demandantes desse produtos no país nos próximos anos”.
Segundo Elbia Gannoun, presidente da ABEEólica, a energia eólica e o hidrogênio de baixo carbono são complementares na contribuição para a agenda de transição energética brasileira. “O Brasil tem a energia limpa, renovável e competitiva para fazer frente a essa descarbonização. Além disso, para permitir que essa matriz energética faça uma eletrificação descarbonizando setores produtivos produzindo uma molécula limpa e verde que é o caso do hidrogênio. As possibilidades do lado da oferta de energia nos trazem um novo momento de desenvolvimento da indústria de energia eólica no Brasil.”
Painéis discutiram temas regulatórios e de financiamento de projetos
O seminário foi dividido em dois painéis temáticos, participação dos setores público e privado. A diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza, moderou o painel institucional “A importância do H2V para a Nova Indústria Brasil”, que reuniu representantes do governo federal e de instituições estratégicas para discutir o papel do hidrogênio verde na agenda de neoindustrialização e na consolidação da economia verde. Órgãos governamentais como os ministérios da Fazenda, Minas e Energia e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços foram representados, além da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A gerente de Investimentos da Agência, Helena Brandão, moderou o painel sobre financiamento de projetos de H2V no Brasil, com foco nos instrumentos financeiros disponíveis, na participação de bancos de fomento e na estruturação de projetos de grande porte. O foco foi de trazer a perspectiva do setor privado sobre o ambiente de negócios para projetos de hidrogênio de baixo carbono no Brasil, quais são as oportunidades e os gargalos que precisam ser superados para desenvolver essa indústria.
É interessante ouvir também o lado privado, centros de pesquisa e instituições financeiras para traçar onde estamos, para onde vamos. Temos ferramentas colaterais de financiamento, centros de pesquisa com cursos e mão de obra especializada. Essa discussão é relevante para apontar o que está faltando para o Brasil entrar no roadmap internacional como referência de hidrogênio para além de apenas um exportador.
Helena Brandão, gerente de Investimentos da ApexBrasil
Apresentação de projetos estratégicos
O final do seminário foi marcado pela apresentação de projetos relacionados ao hidrogênio de baixo carbono no Brasil, em diferentes graus de maturidade para atração de investimentos internacionais. O país conta uma infraestrutura consolidada para a demanda interna e exportação de hidrogênio de baixo carbono, e a busca de parcerias para viabilizar esse potencial competitivo é estratégica. Os projetos apresentados buscam aproveitar o momento regulatório favorável com as diretrizes da Nova Indústria Brasil com a melhoria do ambiente de negócios para alavancar a produção e a atração de investimentos.
Destaque para iniciativas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE), que vem se consolidando como um dos principais polos de hidrogênio verde do país, reunindo projetos de produção voltados tanto ao mercado interno quanto à exportação. Também foram apresentados projetos no Complexo Industrial Portuário de Suape (PE), no Porto do Açu (RJ) — com forte integração logística — e iniciativas estruturantes na Bahia. A agenda de apresentações incluiu ainda as ações em hidrogênio da Petrobras, que tem aumentado o volume de investimentos neste setor.
Confira os portfólios apresentados
1. Prumo Logística
2. Petrobras
3. Complexo Industrial Portuário de Suape
4. Porto de Pecém
5. Fortescue – Pecém, Ceará
6. Projeto H2Pecem, Casa dos Ventos
7. Stoltheven
8. Atlas Agro
9. Thyssemkrupp