Com quase 400 oportunidades identificadas, estudo da ApexBrasil e participação na Hannover Messe 2026 reforçam agenda de inovação e competitividade
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançou o Perfil de Comércio e Investimentos – Alemanha, apresentando um ecossistema detalhado das oportunidades de acesso ao mercado, do impacto do Acordo Mercosul-União Europeia e da relação entre os dois países. O estudo aponta a Alemanha como a quarta maior parceira econômica do Brasil, com a corrente de comércio alcançando US$ 20,9 bilhões em 2025. Ainda que exista complementaridade econômica entre os dois países, em que o Brasil fornece commodities agrícolas e minerais, enquanto a Alemanha se destaca como importante origem de bens industriais e de alto conteúdo tecnológico, há oportunidades para reequilibrar a pauta exportadora brasileira para o país para incluir produtos de maior valor agregado.
De acordo com o levantamento, as exportações brasileiras para o mercado alemão somaram cerca de US$ 6,5 bilhões em 2025, com pauta relativamente concentrada. O principal produto é o café não torrado, responsável por aproximadamente 35% do total, seguido por minérios de cobre e seus concentrados, farelos de soja, motores de pistão, celulose, produtos químicos e ouro não monetário. A balança comercial bilateral é historicamente deficitária para o Brasil, refletindo o peso das importações de bens industriais alemães de maior valor agregado.
Oportunidades de diversificação
O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identifica espaço concreto para ampliar e diversificar a pauta exportadora brasileira para a Alemanha, especialmente em produtos de maior valor agregado. Há oportunidades relevantes em segmentos como café torrado, extratos e essências, máquinas e aparelhos elétricos, artigos de plástico, pneus de borracha, papel e cartão, produtos de madeira e derivados do café.
O mercado alemão, terceira maior economia do mundo e a maior da União Europeia, apresenta grande escala, elevado poder aquisitivo e forte demanda por insumos agrícolas, matérias-primas industriais e produtos diferenciados. A existência de 12 Projetos Setoriais da ApexBrasil com foco na Alemanha reforça o potencial do país para empresas brasileiras de diferentes complexos produtivos.
Acordo Mercosul-União Europeia e desafios regulatórios
A entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia em 2026 tende a melhorar significativamente as condições de acesso ao mercado alemão, pois prevê eliminação tarifária para produtos industriais e agrícolas, além de maior previsibilidade regulatória. O acordo deve reduzir barreiras e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no maior bloco econômico europeu.
No entanto, o estudo alerta que o acesso ao mercado alemão está sujeito a normas regulatórias europeias rigorosas, como o Regulamento Antidesmatamento (EUDR) e o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM), que podem impactar exportações brasileiras de café, soja, madeira, carne bovina, ferro, aço e alumínio. O atendimento a esses padrões representa desafio, mas também oportunidade para empresas que investem em sustentabilidade, rastreabilidade e certificações ambientais.
Investimentos e parcerias estratégicas
No campo dos investimentos, a Alemanha figura entre os principais investidores estrangeiros no Brasil, com estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) de aproximadamente US$ 40,5 bilhões em 2024. Empresas alemãs mantêm presença histórica e consolidada em setores como automotivo, químico-petroquímico, farmacêutico, máquinas e equipamentos, energia, logística e tecnologia, com investimentos relevantes em expansão produtiva, inovação e infraestrutura.
O estudo Perfil de Comércio e Investimentos – Alemanha já está disponível no portal da ApexBrasil, e oferece um guia completo para empresas que desejam explorar as quase 400 oportunidades identificadas no mercado alemão, seja por meio de exportações, seja por meio de investimentos ou parcerias tecnológicas.
Brasil, país parceiro da Hannover Messe 2026
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) está na linha de frente da organização da participação do Brasil como país parceiro oficial na Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo. A presença brasileira no evento reflete uma decisão estratégica da direção da Agência, que vem construindo essa parceria há 2 anos, em sintonia com a retomada da política industrial do país promovida pelo presidente Lula, que recriou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, hoje liderado pelo vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, recolocando a indústria no centro do projeto de desenvolvimento nacional.
Com o programa Nova Indústria Brasil (NIB), implementado pelo governo federal e liderado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o país voltou a contar com uma política industrial estruturada, orientada por inovação, competitividade, sustentabilidade e adensamento das cadeias produtivas. Em 2024, primeiro ano da NIB, a produção industrial brasileira cresceu 3,1%. O programa prevê aportes provenientes do BNDES de R$ 370 bilhões até o final de 2026.
Na feira, o Brasil contará com 6 pavilhões, com mais de 140 empresas expositoras, sendo mais de 300 empresas apoiadas. O país ocupará uma área de mais de 2.700 m² de exposição, dividida nos seguintes halls temáticos: Startups, Pesquisa & Hidrogênio (Hall 11); Energia & Armazenamento (Hall 12); Digitalização & Software (Hall 16); Soluções Industriais & Economia Circular (Hall 17); Automação, Robótica, IA & Segurança Digital (Hall 26); Componentes & Automação (Hall 27). O objetivo é ampliar a visibilidade internacional da indústria brasileira, mostrar a integração do ecossistema brasileiro e reforçar o posicionamento do país como destino de investimentos, tecnologia e negócios.
Como país parceiro oficial da Hannover Messe, o Brasil se apresenta ao mundo como uma potência industrial sustentável, inovadora e competitiva. Unimos a força da nossa indústria, a criatividade das nossas startups, a excelência dos nossos centros de pesquisa e a abundância da nossa matriz energética limpa para oferecer soluções concretas em digitalização, transição energética, descarbonização e manufatura avançada. Do hidrogênio sustentável à inteligência artificial aplicada à indústria, da economia circular à logística sustentável, o Brasil é parceiro estratégico para quem quer produzir com eficiência, tecnologia e responsabilidade ambiental.
A realização desta iniciativa conta com o apoio de importantes instituições que refletem a diversidade e a força do setor produtivo brasileiro. Como parceiros institucionais, destacam-se o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e a Vale. Na categoria de patrocinadores, participam o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a Volkswagen. A iniciativa conta ainda com o apoio de instituições estratégicas para a indústria, a inovação e a cooperação internacional, como a Embraer, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Brasil), a Deutsche Messe, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE) e a Softex, evidenciando a ampla articulação entre governo, setor produtivo e entidades representativas em torno de uma agenda comum de inovação, sustentabilidade e inserção internacional do Brasil.