Missão organizada pela ApexBrasil em Roterdã reúne governo, empresas, associações do setor e investidores para ampliar parcerias estratégicas em energia entre Brasil e Europa
O Brasil chegou ao World Hydrogen Summit 2026, em Roterdã, nos Países Baixos, reforçando sua posição como um dos principais candidatos a liderar a economia global do hidrogênio de baixo carbono. Organizada pela ApexBrasil, a missão realizada entre 18 e 21 de maio reuniu cerca de 30 instituições públicas e privadas brasileiras em uma agenda voltada à atração de investimentos, fortalecimento de parcerias internacionais e posicionamento do país como fornecedor competitivo de moléculas de carbono para a Europa.
O país apresentou vantagens competitivas importantes para liderar a economia global do hidrogênio de baixo carbono, com planejamento energético robusto, matriz elétrica majoritariamente limpa e potencial para atender tanto à demanda doméstica quanto ao mercado internacional. Setores como refino, fertilizantes, siderurgia e transporte pesado já despontam como potenciais consumidores internos de hidrogênio, enquanto a demanda europeia pode impulsionar novos projetos de exportação no Brasil.
A participação brasileira neste ano ganhou relevância estratégica após a aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia e o anúncio de €2 bilhões em investimentos em hidrogênio de baixo carbono e derivados no projeto do grupo Maturatí no Rio Grande do Norte durante a Hannover Messe 2026. O Brasil já soma mais de US$ 30 bilhões em projetos anunciados em hidrogênio de baixa emissão de carbono e mais de 100 projetos distribuídos em 16 estados, que totalizam cerca de R$ 400 bilhões em investimentos previstos
A missão brasileira no WHS 2026 foi composta por organizações públicas e privadas, como Empresa de Pesquisa Energética - EPE, ABIHV, ABH2, Prumo Logística, Casa dos Ventos, Complexo do Pecém, Green Energy Park, BMG Energia, além de representantes de governos estaduais e entidades do setor. A GIZ organizou etapas de visitas técnicas na Alemanha no âmbito do programa H2uppp, iniciativa voltada para aceleração dos projetos de H2. As visitas técnicas incluíram o Porto de Duisport, que se conectará com Pecém e Roterdã, fazendo parte do corredor verde de produção e consumo de hidrogênio.
A programação incluiu visita técnica ao Porto de Roterdã, reuniões institucionais, participação em painéis internacionais e a coordenação de uma sessão exclusiva sobre o papel estratégico do Brasil na transição energética global. Ao longo dos dias 20 e 21 de maio, representantes brasileiros apresentaram projetos, hubs industriais, soluções logísticas e perspectivas regulatórias relacionadas ao hidrogênio de baixo carbono, amônia verde, metanol e combustíveis sustentáveis.
Durante o primeiro dia de evento, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, destacou o papel da Agência na promoção internacional da pauta.
A ApexBrasil está trazendo 30 instituições, públicas e privadas, para posicionar o Brasil como um importante player nessa temática do hidrogênio verde, buscando investidores para uma agenda em que o país possui relevância estratégica muito grande. A expectativa é que possamos, no futuro, trazer muitos projetos importantes para o Brasil na atração de investimentos.
Maria Paula Velloso, diretora de Negócios da ApexBrasil
Brasil apresenta potencial estratégico em sessão organizada pela ApexBrasil
Um dos destaques da programação ocorreu no dia 20 de maio, no palco de inovação em tecnologia do hidrogênio, com a sessão “Como o Brasil está se tornando um pilar estratégico da indústria global de hidrogênio de baixo carbono? De hubs de hidrogênio a corredores verdes”, organizada pela ApexBrasil.
A agenda reuniu representantes do governo, organismos internacionais, empresas e instituições brasileiras e europeias para debater os caminhos para consolidação do Brasil como plataforma estratégica da indústria global de hidrogênio e combustíveis sustentáveis. Ao longo da sessão, foram discutidos temas como a estratégia brasileira de transição energética, o desenvolvimento de hubs industriais e portuários voltados ao hidrogênio de baixo carbono, os corredores verdes de exportação entre Brasil e Europa, os desafios regulatórios e de certificação para acesso ao mercado europeu, além de oportunidades de financiamento, cooperação internacional e integração logística entre portos brasileiros e europeus.
Durante o painel, também foi apresentado o documento “Oportunidades estratégicas de colaboração entre os Países Baixos e o Brasil”, elaborado pela organização holandesa TNO e entregue por representantes do governo neerlandês à diplomata da Embaixada do Brasil nos Países Baixos. O briefing identifica oportunidades para construção de cadeias de valor integradas entre Brasil e Holanda para a indústria de baixo carbono, especialmente nos setores de aço, químicos, biomassa e inovação, por meio de políticas coordenadas, investimentos conjuntos e cooperação em pesquisa e desenvolvimento.
A programação contou com a participação de representantes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Comissão Europeia, Banco Europeu de Investimento, Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Associação Brasileira do Hidrogênio (ABH2), Prumo Logística, GIZ, Rotterdam Partners e outras instituições ligadas à cadeia global do hidrogênio.
O coordenador de Investimentos da ApexBrasil, Carlos Padilla, fez um balanço da participação brasileira em mais uma edição do evento e as perspectivas de futuro.
Esse ano fizemos uma sessão Brasil, onde falamos sobre como o Brasil se posiciona como um pilar estratégico da economia de hidrogênio de baixo carbono, atraindo investimentos, fazendo com que a indústria brasileira seja mais competitiva e forneça produtos de alta qualidade para descarbonizar principalmente as operações na Europa e desenvolver a indústria brasileira. Essa cooperação, que tem como base o acordo recente Mercosul União Europeia, vai permitir acelerar esses investimentos.
Carlos Padilla, coordenador de Investimentos da ApexBrasil
Para Fernanda Delgado, CEO da ABIHV, o encontro reforçou o amadurecimento da agenda internacional do setor. “Estamos falando aqui de acordos de cooperação com Holanda e Alemanha, mostramos os projetos brasileiros e a potencialidade da produção de hidrogênio verde, amônia, metanol e fertilizantes. As discussões ajudam a impulsionar a agenda regulatória e as metas de emissões que devem acelerar a demanda por hidrogênio e derivados nos próximos anos”, afirmou Fernanda Delgado, CEO da ABIHV.
Além da participação na sessão brasileira organizada pela ApexBrasil, a ABIHV assinou, durante uma sessão dedicada à América Latina no World Hydrogen Summit, um Memorando de Entendimentos (MoU) com a associação holandesa NLHydrogen para acelerar projetos, investimentos e parcerias comerciais em hidrogênio renovável e derivados, como amônia, e-metanol e combustíveis sustentáveis entre Brasil e Holanda.
Neste ano que marca os 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e os Países Baixos, a oficialização do acordo prevê cooperação em desenvolvimento de projetos e hubs, certificação e rastreabilidade alinhadas às regras europeias, além da conexão entre produtores brasileiros e a demanda europeia por meio de rotas logísticas e instrumentos de mercado voltados ao offtake.
Já Paulo Emílio de Miranda, presidente da ABH2, ressaltou a importância da articulação promovida pela ApexBrasil para aproximar empresas brasileiras e europeias.
“O modo de trabalho da ApexBrasil se coaduna muito bem com os interesses da ABH2 em desenvolver essa área de energia do hidrogênio no Brasil. O país tem condições especiais em fontes renováveis, capacitação tecnológica e novas tecnologias que dialogam com as soluções desenvolvidas na Europa. Essas interações têm sido muito frutíferas para ampliar cooperações e oportunidades”, destacou.
“Disruptores Globais da Indústria: Brasil” destaca potencial brasileiro
No dia 21 de maio, o Brasil foi o centro das discussões do Summit com a sessão “Disruptores Globais da Indústria: Brasil”, realizada no palco principal do evento.
O painel apresentou ao público internacional os fatores que posicionam o país entre os mais promissores mercados globais para produção de hidrogênio de baixo carbono, incluindo a matriz elétrica com mais de 90% de fontes renováveis, o potencial competitivo de custo de produção, o desenvolvimento de hubs portuários e o avanço do marco regulatório brasileiro.
Participaram da sessão a CEO da ABIHV, Fernanda Delgado, como moderadora, além de Fabio Grandchamp, vice-presidente executivo do Complexo do Pecém, e Thiago Ivanoski Teixeira, diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Para Thiago Ivanoski, a participação no Summit foi muito produtiva pela pluralidade do assunto tratado, seja do ponto de vista do governo federal, apresentado pela EPE, dos investidores, representados pelo Porto do Pecém, e de uma associação de hidrogênio do Brasil, representada pela AHBIV. “Tentamos trazer diversos elementos para o público aqui, em que mostra o Brasil como ele é, as vantagens que nós temos e o quanto podemos ser predominantes nesse mercado do hidrogênio no mundo. Tratamos sobre o planejamento energético e como estamos vendo o Brasil nos próximos 10 a 30 anos.
Durante o debate, Fabio Grandchamp destacou o corredor verde desenvolvido entre o Porto do Pecém, o Porto de Roterdã e o Porto de Duisburg, na Alemanha, como uma das iniciativas estruturantes para viabilizar a exportação de hidrogênio e derivados brasileiros para a Europa. “A principal mensagem que trazemos para o World Hydrogen Summit desse ano é o nosso nível de como que os nossos projetos do Porto do Pecém estão prontos. Esse corredor vai além da infraestrutura física. É essencial que exista alinhamento institucional entre Brasil e União Europeia em termos de incentivos, certificação e estratégia. Brasil e a Europa têm tudo para ampliar essa parceria energética”, afirmou.
Porto de Roterdã reforça integração logística com o Brasil
Antes da abertura oficial do Summit, a delegação brasileira participou de uma visita técnica ao Porto de Roterdã, organizada a pedido da ApexBrasil e voltada à cadeia logística do hidrogênio verde. A agenda incluiu apresentações sobre os projetos de hidrogênio do porto, infraestrutura logística e integração com os corredores verdes europeus.
A gerente de Novas Energias do Porto de Roterdã, Duna Uribe, destacou a importância estratégica da parceria com o Brasil para o desenvolvimento da cadeia internacional de exportação de hidrogênio. “É muito importante ver o elo que existe entre Brasil, Países Baixos e Europa como um todo. O Brasil é um grande parceiro e precisamos trabalhar para unir essa cadeia de exportação do Brasil até a Europa via Porto de Roterdã”, afirmou.
A participação brasileira no World Hydrogen Summit 2026 reforçou a estratégia da ApexBrasil de apoiar a internacionalização de projetos ligados à transição energética, promovendo o Brasil como destino prioritário para investimentos em hidrogênio de baixo carbono, combustíveis sustentáveis e neoindustrialização verde.