No Parlamento Europeu, Brasil defende sociobioeconomia e floresta em pé

08/06/2026
Institucional

Por: Comunicação ApexBrasil

Compartilhar
Copiar link

Compartilhar

Compartilhar esse link com
Copiar link
Link copiado!
No Parlamento Europeu, Brasil defende sociobioeconomia e floresta em pé
Compartilhar
Copiar link

Compartilhar

Compartilhar esse link com
Copiar link
Link copiado!

Sessão especial em Bruxelas propõe a construção de uma ponte permanente de cooperação baseada em valores compartilhados; comitiva de lideranças femininas e ApexBrasil destacam papel de cooperativas no desenvolvimento sustentável

O Parlamento Europeu sediou nessa quinta-feira (4) uma sessão histórica que colocou as comunidades tradicionais, as cooperativas da agricultura familiar e os pequenos negócios da bioeconomia brasileira no centro das discussões regulatórias da Europa. Integrando a agenda estratégica da Semana da Amazônia — iniciativa organizada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) com o apoio e a participação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil) —, o encontro foi marcado pelo protagonismo de uma delegação composta por mulheres líderes, que apresentaram o impacto positivo da preservação ambiental aliada ao desenvolvimento econômico.

 

O Brasil dos pequenos negócios

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, enfatizou a relevância do cooperativismo e a necessidade de o comércio internacional servir como motor de transformação social para quem habita a região amazônica. Müller apresentou dados estruturais do país e ressaltou a sintonia de valores com o bloco europeu:

O Brasil tem sim uma grande agricultura de escala, mas tem 70% formado por agricultura familiar. Das mais de 24 mil empresas que nós apoiamos na ApexBrasil, quase 60% são micro e pequenas empresas. Então é esse Brasil que está aqui, esse Brasil que quer se mostrar, esse Brasil que compartilha esses valores com a União Europeia, esse Brasil que quer usar o acordo com a União Europeia para gerar desenvolvimento.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil

Müller também destacou que a agenda internacional e o livre comércio são caminhos viáveis para assegurar a sustentabilidade e a dignidade das populações locais:

"É isso que estamos trazendo na Semana da Amazônia, não só a importância da preservação, mas sim a importância dos empreendimentos, de quem vive na Amazônia, de quem tem atividade econômica na Amazônia e de quem pode ser ajudado para desenvolver, para aumentar a renda por meio do comércio, por meio dos negócios, por meio dos empreendimentos. Aqui ficou muito claro que o comércio pode andar junto com o desenvolvimento sustentável. E eu acho que é isso que o mundo precisa: a gente precisa de mais acordos, abrir os nossos mercados, menos tensão, menos confusão e mais entendimento.", concluiu.

 

Uma ponte permanente

Durante a sessão, o eurodeputado Helder Sousa e Silva, responsável por coordenar a delegação de parlamentares europeus voltada aos assuntos do Brasil, celebrou a oportunidade de receber a comunidade amazônica no Parlamento, ressaltando a viabilidade de um modelo inclusivo que integre os pequenos produtores ao tratado internacional.

"Nos comprometemos a envolvê-los dentro do acordo da União Europeia-Mercosul para dizer que todos contam, desde os grandes aos médios, aos pequenos, porque queremos que o acordo seja um acordo ganha-ganha. (...) Vamos construir uma ponte permanente, uma ponte mental de abertura de espírito para que esta cooperação seja cada vez mais eficaz, eficiente, sustentável, duradora e essencialmente amiga, de coração aberto, porque partilhamos os mesmos valores", declarou o eurodeputado.

Gisele Obara, responsável pela missão brasileira na Bélgica e Coordenadora Nacional da Trias América do Sul, reforçou esse sentimento de cooperação bilateral ao classificar o acordo como uma verdadeira via de duas mãos. Ela destacou que o relacionamento entre os blocos vai além da dinâmica tradicional de compra e venda de insumos:

"Quando falamos da sociobiodiversidade, não é só importar alimentos. Vemos como a oportunidade de dois blocos de fato estabelecerem essa cocriação e oportunidades muitas vezes pouco exploradas. A questão ambiental não é só no Brasil, é no mundo. A Agenda 2030 nos traz reflexões muito emblemáticas como humanidade sobre qual o legado que a gente quer deixar pro futuro", pontuou Obara.

 

Vozes das cooperativas e o protagonismo feminino

A relevância do painel foi amplificada pelo depoimento das mulheres que comandam o trabalho de campo, as indústrias sustentáveis e a gestão das associações na Amazônia. Gisele Obara prestou homenagem à comitiva lembrando o Ano Internacional da Mulher Rural: "Temos aqui lideranças brasileiras que não representam só o Brasil. É a liderança de quem realmente traz alimento, produz alimento saudável para as nossas mesas".

Fátima Torres, presidente da UNICAFES (União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária) — entidade que representa cooperativas de pequenos produtores com grandes negócios —, detalhou a força social do cooperativismo autogerido:

"Falar da bioeconomia da Amazônia é falar de pessoas. Não dá pra gente pensar em sustentabilidade, pensar em preservação ambiental sem considerar que a gente tem que ter políticas públicas, programas que garantam a qualidade de vida e o bem viver das famílias que estão no campo, nas águas e nas florestas. Somos nós mulheres que ousamos sonhar que sabemos produzir."

A engenheira de produção e pesquisadora Ana Lídia Zoni Ribeiro, CEO da Melipona Tech e criadora do Hidromel Uruçun, compartilhou os desafios de liderar uma indústria sustentável que beneficia 2.900 pessoas através da criação de abelhas nativas sem ferrão e destacou o papel das abelhas no sistema de conservação da floresta e de sistemas produtivos: "As abelhas são responsáveis por até 80% de polinização de toda a base vegetal do mundo. Então, sem abelhas não há vida, não há biodiversidade, não há plantação, não há frutas e não há alimento no nosso prato".

Completando o panorama social, Maria do Socorro Teixeira Lima, que aos 75 anos preside um fundo de defesa dos extrativistas e lidera a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP), reforçou que o extrativismo do babaçu é sinônimo de saúde e vida. "Se você ama sua vida, você ama a floresta. E nós, as mulheres, somos as patronas. O nosso papel de mulheres é esse, proteger, conservar, cuidar e amar", declarou.

 

Trabalho, rastreabilidade e o futuro da sustentabilidade

Para além das discussões sociais, a mesa técnica aprofundou-se também em como o trabalho diário das populações locais conecta-se diretamente aos critérios globais de sustentabilidade e rastreabilidade. Gisele Obara indicou a necessidade de expandir essa engrenagem econômica por meio do conhecimento e da tecnologia, propondo parcerias estratégicas. Essa união científica busca blindar o esforço de comunidades que dependem da valorização de seus produtos biológicos no exterior.

A consolidação de um ecossistema produtivo viável foi detalhada por Fernanda C. Stefani, CEO da bioindústria 100% Amazônia, que expôs como o trabalho industrial pode e deve atuar de forma harmônica com os povos tradicionais. "A nossa operação está ancorada em cadeias produtivas com povos tradicionais e agricultura familiar que tem rastreabilidade, que tem origem e que tem certificações internacionais", disse. Ela sustentou que a cobrança europeia por novas normativas ambientais deve dialogar estreitamente com a realidade prática do território, sob o risco de se adotarem protocolos distantes do dia a dia da floresta.

Para que a sustentabilidade se converta em permanência real, a empresária pontuou que a abertura e o acesso preferencial aos mercados internacionais precisam vir atrelados a investimentos estruturados na capacidade de produção local. Essa medida protege o trabalho dos extrativistas e agricultores, assegurando que o valor gerado pela bioeconomia permaneça nas mãos de quem preserva o ecossistema na ponta da cadeia, evitando que os ganhos legítimos sejam capturados por intermediários de mercado.

No encerramento da rodada técnica, os participantes reafirmaram que a união entre as regras consolidadas da Europa e o conhecimento florestal do Mercosul criará um ambiente seguro de comércio, onde a conservação da biodiversidade caminha em paridade com a dignidade do trabalhador amazônida.

 

 

Tema: Promoção Comercial
Mercado: Europa
Setor de Exportação: Alimentos, Bebidas e Agronegócios
Setor de Investimento: Não se aplica
Setor de serviços:
Erro: