Com liderança da ApexBrasil, delegação brasileira aposta em corredores verdes, investimentos e cooperação industrial com a Europa para consolidar o país como potência global do hidrogênio de baixo carbono
O Brasil chega ao World Hydrogen Summit & Exhibition 2026, em Roterdã, na Holanda, em um momento decisivo para a consolidação da agenda nacional de hidrogênio de baixo carbono. Considerado um dos principais eventos globais do setor, o encontro reunirá governos, investidores, empresas e especialistas entre os dias 19 e 21 de maio para discutir os rumos da transição energética mundial e o desenvolvimento de cadeias internacionais de hidrogênio.
Liderada pela ApexBrasil, a participação brasileira neste ano ganha relevância estratégica após a aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia e o anúncio de €2 bilhões em investimentos em hidrogênio de baixo carbono e derivados durante a Hannover Messe 2026. As negociações desses investimentos tiveram início justamente durante a edição de 2024 do World Hydrogen Summit, reforçando o papel do evento como plataforma de articulação internacional para novos negócios e parcerias no setor.
As discussões no evento também reforçarão o papel dos chamados “corredores verdes” entre Brasil e Europa, especialmente a cooperação entre o Porto do Pecém, no Ceará, e o Porto de Roterdã. Desde 2018, os dois portos mantêm parceria estratégica voltada ao desenvolvimento de cadeias logísticas sustentáveis, incluindo hidrogênio de baixo carbono e derivados, iniciativa considerada fundamental para o futuro das exportações brasileiras ao mercado europeu.
O Brasil já soma mais de US$ 30 bilhões em projetos anunciados em hidrogênio de baixa emissão de carbono e mais de 100 projetos distribuídos em 16 estados, que totalizam cerca de R$ 400 bilhões em investimentos previstos. O país reúne vantagens competitivas relevantes para liderar esse mercado, como uma matriz elétrica com 88% de fontes renováveis, potencial competitivo de produção e um marco regulatório recentemente consolidado.
Agenda estratégica e delegação diversa para oportunidades de investimento
Durante o evento também está prevista a assinatura de um memorando de entendimento entre a Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) e representantes dos Países Baixos, fortalecendo a cooperação bilateral em transição energética e cadeias industriais sustentáveis.
A agenda inclui ainda a apresentação da nota técnica “Países Baixos–Brasil sobre cadeias de valor estratégicas para a transformação industrial”, elaborada pela organização holandesa TNO. O documento identifica oportunidades prioritárias de cooperação entre Brasil e Países Baixos em cadeias estratégicas ligadas à transformação industrial, com foco em materiais de baixo carbono, carbono circular, derivados de hidrogênio e integração entre produção e mercado. A proposta é apoiar governos e setor privado no avanço de iniciativas concretas de cooperação bilateral voltadas à descarbonização industrial e ao fortalecimento de cadeias globais sustentáveis.
A missão brasileira no WHS 2026 será composta por cerca de 30 organizações públicas e privadas, como Empresa de Pesquisa Energética - EPE, ABIHV, ABH2, Prumo Logística, Casa dos Ventos, Complexo do Pecém, Green Energy Park, BMG Energia, além de representantes de governos estaduais e entidades do setor.
Programação de alto nível focada na descarbonização da indústria nacional
A agenda organizada pela ApexBrasil busca fortalecer a imagem do Brasil como destino estratégico para investimentos em energia limpa, ampliar conexões com compradores internacionais (offtakers) e avançar em discussões sobre certificação, infraestrutura, regulação e integração às cadeias globais de valor do hidrogênio.
Entre os destaques da programação está a abertura oficial do estande brasileiro, no dia 20 de maio, conduzida pela diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso. O espaço será utilizado para reuniões de alto nível, promoção de projetos e articulação com investidores internacionais.
Na mesma data, a ApexBrasil promove a sessão “Como o Brasil está se tornando um pilar estratégico da indústria global de hidrogênio e baixo carbono?”, dentro do programa Invest in Brasil Hydrogen. A iniciativa integra a estratégia da Agência para atrair empresas estrangeiras interessadas em investir na produção de hidrogênio e derivados no Brasil, além de conectar produtores brasileiros a compradores internacionais. O programa já apoiou mais de US$ 5 bilhões em anúncios de investimentos entre 2024 e 2025.
Outro destaque será o painel “Global Industry Disruptors: Brazil”, no dia 21 de maio, que discutirá o potencial do Brasil para se tornar uma das principais potências globais do hidrogênio até 2030, impulsionado por sua matriz renovável, competitividade em custos e desenvolvimento de hubs portuários e industriais. A sessão contará com participação de representantes da EPE e do Complexo do Pecém.
Além da programação oficial do summit, a delegação brasileira participará de visitas técnicas ao Porto de Roterdã e de agendas voltadas ao fortalecimento de parcerias entre Europa e América Latina para o desenvolvimento do mercado global de hidrogênio renovável.